Câncer de Mama: a importância da conscientização sobre a doençaTodos nós conhecemos mulheres que tiveram ou que têm câncer de mama e que passaram ou passam por momentos muito angustiantes em suas vidas, por motivos óbvios. Portanto, falar da importância do diagnóstico precoce e sobre a avaliação de risco de contrair a doença é sempre fundamental, oportunidade ressaltada pelo Outubro Rosa.

laço alusivo ao Outubro Rosa

Todos nós conhecemos mulheres que tiveram ou que têm câncer de mama e que passaram ou passam por momentos muito angustiantes em suas vidas, por motivos óbvios. Portanto, falar da importância do diagnóstico precoce e sobre a avaliação de risco de contrair a doença é sempre fundamental, oportunidade ressaltada pelo Outubro Rosa.

De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Mastologia, a cada ano, aproximadamente 60 mil brasileiras são diagnosticadas com câncer de mama. Apesar de existir uma maior propensão ao desenvolvimento da doença entre mulheres com mais de 50 anos, o aumento na incidência de câncer de mama entre mulheres mais jovens nos últimos anos tem chamado a atenção. No Brasil, a incidência hoje da doença em mulheres com menos de 35 anos está entre 4% e 5% dos casos, faixa etária em que historicamente apenas 2% dos casos eram observados.

Este fenômeno, explica a SBM, está sendo observado não apenas no Brasil, mas também em vários outros países, em fase de desenvolvimento. Aspectos associados aos fatores de risco, que têm relação com estilo de vida, se veem mais presentes, como, por exemplo, menor número de filhos, gestação mais tardia, alimentação inadequada, associados à correria do dia a dia, podem estar influenciando esta mudança de aparecimento desses tumores em mulheres mais jovens.

Fatores de risco - De acordo com o INCA – Instituto Nacional de Câncer, entre as ocorrências de câncer no Brasil, o de mama é o segundo mais comum e o que causa mais mortes por câncer em mulheres. Em 2019, mais de 59 mil casos são estimados. Diante desses dados, o Outubro Rosa vem reforçar a importância de conscientização da mulher para o diagnóstico precoce. O projeto foi criado no começo da década de 90 com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. Nesse sentido, a campanha alerta para os fatores de risco, dentre eles os endócrinos, comportamentais, influências do ambiente e fatores genéticos e hereditários.

Para mulheres que possuem casos de câncer de mama na família, é necessário mais atenção. A realização do autoexame de toque e da mamografia são de extrema importância. Da mesma forma, mutações em determinados genes transmitidos hereditariamente podem indicar uma predisposição para o surgimento do problema. Porém, nesse caso de suspeita de risco genético, alguns exames complementares também podem ser fundamentais.

“Ao realizar um teste genético, é possível identificar se existe uma mutação dos genes associados a este tipo de câncer, como o BRCA1 e BRCA2. Ao verificar esta alteração e a existência do risco, pode-se estabelecer um plano de vigilância, diferente do adotado pela população normal, no qual a mulher irá realizar anualmente ressonâncias magnéticas e mamografias desde a idade precoce”, explica o Dr. João Bosco Oliveira, médico imunologista e geneticista, sócio fundador da Genomika Diagnósticos, laboratório pioneiro de genética clínica. Segundo ele, “a detecção precoce da doença permite um tratamento menos agressivo e menor chance de morte. ”

Em algumas situações, como no famoso caso da atriz norte-americana Angelina Jolie, a identificação do alto de risco de surgimento do câncer de mama pode auxiliar a mulher na tomada de decisão para realizar medidas como a mastectomia. De acordo com os testes realizados pela atriz, os médicos estimaram que o risco que ela possuía em desenvolver o tumor era de mais de 80% por conta de sua herança genética. Sendo assim, Angelina optou pelo procedimento que consiste em retirar os seios.

Exames como esse, hoje em dia, já estão bem mais acessíveis, podendo ser realizados em laboratórios de genética clínica. Como no caso de Angelina Jolie, especificamente para avaliar probabilidade de câncer, existe o exame chamado Painel Ampliado de Risco Hereditário do Câncer. “Esse teste avalia 44 genes associados a diversos tipos de câncer, como mama, intestino, próstata, endométrio, entre outros. A partir dos resultados, o paciente, em conjunto com seu médico, pode planejar o melhor programa de prevenção para a doença, com dados personalizados baseados na sua constituição genética”, explica o Dr. João Bosco Oliveira.

Para o paciente, o processo de coleta para a realização do sequenciamento genético, etapa presente em todos esses exames, é simples. É feita uma coleta da amostra, que pode ser de sangue ou saliva. Com isso, ela é processada no laboratório, onde é realizada a extração do DNA que está presente nas células. Após essa etapa, é feito o processamento da amostra e o sequenciamento de segunda geração para analisar a sequência do DNA amplificado em milhares de vezes. Todo esse processo é executado com o auxílio de robôs que agilizam e dão mais segurança e precisão ao processamento das amostras.

O acesso a esse exame, hoje em dia, informa, também é facilitado. Com a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar de 2013, os testes de sequenciamento dos genes BRCA1 e BRCA2 passaram a integrar o rol de exames genéticos cobertos integralmente pelos planos de saúde. Caso o paciente preencha alguns critérios e pré-requisitos determinados pela ANS, é possível fazer esses testes através dos convênios.

 

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